22/01/2021

Q, um sonho coletivo


Ontem, 20 de janeiro, tomou posse em Washington o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden. Devido ao risco de se repetirem os atos violentos vistos na invasão do prédio do Capitólio semanas antes, a posse foi fechada ao público, e os americanos tiveram que assistir a cerimônia pela televisão. Uns o faziam com alegria, outros com tristeza, como seria de se esperar, mas havia um grupo que olhava para a tela com a certeza de que algo espetacular estava prestes a acontecer: o cumprimento de uma profecia contada a eles nas redes sociais, de que os militares sob o comando de Trump iriam interromper a posse para prender Joe Biden e, mais tarde, instaurar um governo de salvaçao nacional. Esta profecia, alimentada por um misterioso personagem chamado simplesmente "Q", não se cumpriu, e a posse transcorreu sem problemas. Aos adeptos de Q restou apenas o vazio de uma promessa que se mostrou mentirosa: Trump não só não liderou um golpe militar como ainda perdoou, nos últimos dias de mandato, algumas figuras públicas condenadas na justiça por corrupção (entre eles, um político do partido Democrata!).

Mas se tudo não passava de ilusão, por que é que parecia tão verdadeiro para os adeptos de Q? Jung dizia que um arquétipo não integrado à personalidade pode vir a se impor desde o exterior, desde a realidade. 

Ou seja, se não ouvirmos nossos sonhos, sonharemos mesmo assim, só que acordados. E o despertar pode ser amargo.





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