21/04/2021

Groundation day!


No dia de hoje (21 de março), em 1966, às 13:30 hs, pousou no aeroporto de Kingston, na Jamaica, o voo da Ethiopian Airlines trazendo à bordo o imperador Haile Selassie, considerado pelos praticantes da religião Rastafari como um ser divino, ou no mínimo um profeta. Mais de 100 mil pessoas o esperavam no local, desde a noite anterior, cantando, tocando tambores e fumando maconha (uma droga considerada sagrada pelos praticantes da religião). O momento era o de encontro de um deus vivo com seu povo, algo que as sociedades modernas já tinham até esquecido como era.

Curiosamente, o imperador por si não se considerava divino, nem tampouco na sua Etiópia as pessoas o viam assim; mas, apesar disso, ele veio até a Jamaica para cumprir a promessa que fez aos jamaicanos que o visitaram, anos antes, em Adis Abeba, e que o informaram de que na Jamaica - do outro lado do mundo - os mais pobres acreditavam que ele, Haile Selassie, tinha nascido para revelar-lhes a verdade de Deus. Espantado com a sinceridade dos jamaicanos, o imperador aceitou que o homenageassem dessa forma e prometeu que, um dia, iria até a Jamaica conhecer a gente que o adorava. Esse dia finalmente chegou, em 21 de março de 1966.

A emoção (e o tumulto) que caracterizaram a visita não importam tanto. O que importa é que, até hoje, os Rastafaris repetem o encontro daquele dia - chamado de "groundation day" - com outros "groundations", na forma de encontros para o desenvolvimento espiritual dos participantes. Um "groundation" normalmente inicia com uma reza a Deus e o consumo de maconha, e depois entra no momento de debates. O que é que se debate ali? Os sonhos e visões que as pessoas tiveram e o significado sagrado que se esconde (e se revela) neles. 

Ao fim de todo "groundation", tendo chegado a um acordo sobre as mensagens entregues através dos sonhos, todos rezam novamente: rezam a Deus - chamado por eles de Jah - e ao profeta Haile Selassie, aquele que nunca pediu para ser profeta de coisa nenhuma.

13/04/2021

Jung era contra a tecnologia?

 


"Jung via a tecnologia como um malefício para as pessoas e a sociedade em geral". Esta é uma opinião bastante comum entre as pessoas que estudam Psicologia, mas é correto afirmar isso? É certo que a opção de Jung por construir uma casa afastada da cidade, onde não havia luz elétrica nem os confortos da vida moderna, pode levar muita gente a pensar que sim, que Jung foi uma espécie de primitivista, alguém que condena as formas tecnológicas de interação com o ambiente e com as outras pessoas. Se fosse assim, Jung não estaria sozinho, já que vários pensadores contemporâneos dele tomaram esta mesma postura crítica (os mais conhecidos foram Heidegger, Jacques Ellul e Ivan Illich).

Mas, por outro lado, que outro pensador antecipou o mundo em que vivemos melhor que Jung? O mundo da internet - que permitiu o aparecimento de uma multidão de novas identidades e de formas de ser - não teria sido Jung o seu precursor?
A rapidez como arquétipos esquecidos surgiram na internet - apesar do "nivelamento" que as grandes corporações buscam promover nas rede sociais - é prova da atualidade de Jung para o entendimento desta nova etapa do desenvolvimento humano.

Diferente dos aparatos mecânicos - que são "sem coração" -,  a tecnologia digital permitiu o (re)surgimento do Espírito. Por isso, ela tem a necessidade de entender a si própria, e ninguém melhor que Jung para ajudar nesta tarefa!