Em 1889, duas jornalista norteamericanas partiram em uma corrida contra o tempo a fim de darem a volta ao mundo em menos de 80 dias e superar, com isso, a marca obtida por Philleas Fogg, o personagem do romance que Jules Verne havia publicado pouco antes. Apoiadas pelos seus jornais, Nellie Bly e Elizabeth Bisland partiram em direções opostas (Nellie em direção da Europa, Elizabeth em direção ao Pacífico), sozinhas e sem nenhum tipo de apoio financeiro ao longo do caminho. Por telégrafo, elas puderam informar os leitores sobre o avanço da viagem e, dessa forma, se criou um fato jornalístico sensacional em torno delas: onde estavam, o que tinham visto, quem iria chegar por primeiro em Nova York?
No fim, Nellie ganhou com a vantagem de quatro dias sobre a concorrente e os detalhes da viagem foram publicados por ela mais tarde no livro Volta ao mundo em 72 dias.
Mas esta não foi a primeira viagem sensacional de Nellie Bly: no ano anterior, ela fingiu ser louca e foi internada no Hospício Municipal de Nova York, a fim de investigar se eram verdadeiros os relatos de maus tratos às pacientes da ala feminina do hospital que tinham chegado a ela no jornal. A partir do diagnóstico do psiquiatra de plantão que a examinou - "ela é louca!" - Nellie foi internada e iniciou uma viagem aos porões escuros do sistema de saúde mental que, naquela época, era conhecido pela forma desumana de tratamento dado às pessoas com sofrimento psíquico grave. Esta viagem, e não a outra ao redor do mundo, Nellie jamais esqueceria, pela crueldade e violência que viveu junto às outras mulheres internadas.
O relato desta experiência traumática foi apresentado mais tarde no livro 10 dias num hospício, que chocou os leitores da época e pôs em andamento uma reforma no sistema psiquiátrico norteamericano.
De uma certa forma, a história de Nellie se assemelha à de Jung: ambos fizeram viagens para muito longe de casa, e ambos percorreram corajosamente os caminhos sombrios da loucura (Nellie no hospital psiquiátrico e Jung em seus sonhos e visões depois do rompimento com Freud).
Os efeitos destes atos corajosos nos beneficiam até hoje.

Muito boa a historia! É preciso muita coragem pra fazer isso! Eu ficaria com medo de não me soltarem mais, kkkk. Polícia, hospital e hospício, quero distância, rsrsrs
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