Wind phone é uma cabine telefônica situada num jardim em Otsuchi, no Japão. Como as cabines telefônicas de antigamente (bem diferentes dos nossos "orelhões", que eram abertos), esta cabine em Otsuchi é toda de vidro: você entra nela e pode fechar a porta para falar sem ser interrompido pelo barulho da rua. Há uma cadeira e, diante dela, uma pequena prateleira com um telefone preto em cima. Do mar, que você enxerga pelos vidros da cabine, sopra o vento que dá nome ao local: "telefone do vento".
O wind phone é um artifício criado em 2010 pela imaginação de um paisagista chamado Itaru Sasaki, que sofria na época com a perda de um familiar. É um telefone mudo - desconectado -, feito para você falar com aquelas pessoas que você ainda ama, mas que já morreram. É um truque, basicamente. Mas é um truque que funciona: ainda que todos entrem na cabine sabendo que o telefone está desconectado, no momento em que tiram o fone do gancho, a mágica se produz mesmo assim. As pessoas falam, como se estivessem sendo escutadas, como se o vento que vem do mar pudesse levar as conversas a quem não está mais no mundo conosco.
Numa sociedade tão tecnológica como a japonesa, é interessante ver que práticas como essa, que poderiam ser chamadas de "mágicas" - ou até mesmo de "sagradas" - retornam para dar conta de sentimentos profundos como o luto.

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